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Saída de campo ao Parque Natural do Litoral Norte

  • João Paulo Ramos
  • 18 Nov, 2020
  • 0 Comentários
  • 2 Mins Read

A primeira fase do método de estudo geográfico é observar. Podemos fazê-lo indiretamente com fotos, mapas, vídeos, (…), mas é na observação direta das saídas de campo que a Geografia tem o seu trabalho de excelência.

No terreno. observa-se, localiza-se e descreve-se o fenómeno in loco, sendo que a explicação do mesmo poderá, ou não, ser também realizada no local. De forma ativa, sensitiva, até mesmo imersiva, o fenómeno, por vezes analisado exaustivamente à distância, passa a materializar-se. Foi isso que fizeram as turmas de oitavo ano da EB de Forjães.

Fruto do atual contexto pandémico, nos dias 30 de outubro e 13 de novembro, as turmas do 8.ºFA e 8.ºFB (respetivamente),  realizaram uma saída de campo ao Parque Natural do Litoral Norte, no âmbito da recuperação e consolidação das aprendizagens essenciais de Geografia, relativas à temática Dinâmica do litoral. Em sala de aula, já com o E@D, esta dinâmica foi analisada com especial incidência no Parque Natural do Litoral Norte, com recurso a um mapa elaborado com base em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) que serviu para a concretização da visita virtual, daquilo que seria a saída real, entretanto cancelada. Demorou, mas a ida para o terreno concretizou-se! Covid-19 é atualmente sinónimo de limitações, mas não de prisão, e o geógrafo quer sair, observar, sentir. E, no terreno, sente de forma crua, sem filtros.

O litoral de Esposende está sob ameaça. É um facto! Orlando Ribeiro (o renovador da Geografia em Portugal) no seu caderno 12, de 1936/1937, aquando passagem pelo Minho, no que descreve não viu o que nós vimos. O mar estava “mais distante”. Eram centenas de metros de areal em alguns locais que hoje já não os têm. Fizemos jus à sua memória, provando que a Geografia é dinâmica, assim como o litoral! Visitámos a requalificação da frente marítima de S. Bartolomeu do Mar, a foz do Cávado, cada vez mais desprotegida, as torres de Ofir, a capela, facho e aldeamento da Bonança e o Lugar das Pedrinhas, em Apúlia, com toda a história associada à passagem de Romanos e Vikings, com especial destaque para as suas casas-barco. São dunas a sofrer erosão em pré-rotura, casas ameaçadas  pelo mar ou já sem alicerce, prestes a ruir na próxima onda, são paliçadas que, ainda que frágeis, conseguem uma lenta recuperação dunar…, são factos, reais, crus! Os dados estão lá, as análises com recurso a imagens de satélite não deixam mentir, e assim, de repente, numa saída de campo, “metade” dos conteúdos de sétimo ano são revistos com alegria, felicidade e muito ar puro! A duração foi curta para a imersividade da experiência, e, na hora do regresso, a pergunta foi: “quando é a próxima?”.

A realização desta atividade contou com a colaboração da Câmara Municipal de Esposende, parceiro que, uma vez mais, prontamente disponibilizou todo o apoio necessário, e a quem agradecemos.

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