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Apresentação do livro “As Aventuras do Esquilo Bernardo”

Depois de aprenderem as categorias da narrativa, os alunos do então 5.º FB, atual 7.º FB, foram desafiados a construir, para o concurso “Uma Aventura”, uma narrativa com introdução, desenvolvimento e conclusão, herói e oponente, várias peripécias, diálogos e recursos expressivos, momentos de ação e descrições de paisagens e personagens…

A proposta da editorial Caminho contemplava textos até duas páginas, e os alunos assim fizeram… Todos com exceção da Inês Magalhães que, preocupada em colocar em prática tudo o que aprendera, construiu um belíssimo texto de 18 páginas, que li com a maior surpresa…

“As Aventuras do Esquilo Bernardo” é um texto cheio de ritmo e de aventura, com paisagens e personagens bem descritas e variadas, passando pela África selvagem, pelo Egipto e pelo Havai, cheio de diálogos, de comparações, de adjetivos bem escolhidos, que logo prendeu quem o leu, e foi opinião unânime que daria um belo livro para alunos do 3.º ao 6.º ano. Daí à sua publicação, decorreu o tempo habitual: contactar a Junta de Freguesia, escolher uma ilustradora também forjanense, a Leonor Maranhão Pereira; a Junta de Freguesia assumiu a publicação e a cerimónia de lançamento decorreu no dia 30 de junho, no Centro Cultural de Forjães, tendo contado com a presença da Dra. Alexandra Vilar, Vereadora da Cultura da CME.

“Como é que uma miúda de 10 anos escreve uma história desta envergadura?”

Mais ainda do que a qualidade literária, surpreende o humanismo cheio de ternura que percorre as personagens, por exemplo, quando o narrador se deixa ficar a ouvir as histórias de um velho comerciante e confessa:

“Apesar da pressa que tinha, não consegui sair logo de seguida, fiquei agarrado a ouvir as histórias de vida que este humilde senhor tinha para partilhar”.

A propósito desse humanismo, podemos observar que a ação é atravessada por valores como a generosidade (um dos adjetivos mais frequentes), a humildade, a simpatia e a empatia, valores que, curiosamente caracterizam a Inês (enquanto o vilão é agarrado ao poder, deslumbrado pela riqueza e pela admiração que esta provoca nos outros…).

A relação da Inês com os colegas, que tivemos o privilégio de observar, caracteriza-se também pela empatia, pela solidariedade, pela generosidade, pela paciência e pela resiliência. A Inês, tal como a personagem principal desta história, nunca desiste de um projeto, seja ele técnico ou humano.
E do mesmo modo que a personagem, talvez porque nunca houve abuso de telemóvel na sua educação, o que nunca a fez deixar de ser criança antes do tempo, também a Inês conservou aquelas características maravilhosas nas crianças, que são a curiosidade e a capacidade de se deslumbrar, motivo pelo qual é capaz de imaginar e descrever, não só as paisagens dos mais diferentes lugares do planeta, como também de imaginar as sensações provocadas nas personagens.
Estabelecendo um paralelo com Júlio Verne, considerando as inúmeras aventuras que este esquilo Bernardo vive, ninguém acreditaria que esta história foi escrita num tempo em que não existia ainda o chat GPT. Saiu tudo da cabeça da Inês.

Imagine-se a personagem a atravessar a savana africana, a chegar a Otzarreta Forest, atravessar o Atlântico, o Mediterrâneo e o deserto, para viver uma aventura no Egito e finalmente perder-se numa ilha do Havai, que a Inês descreve como se lá tivesse vivido uma boa temporada.
Viaja de Balão, de Jangada, de Camelo, de Jato particular…

É esta capacidade de imaginar o que nunca viveu, descrevendo os pormenores mais minuciosos que faz lembrar Júlio Verne quando este descreve um foguetão ou um submarino que não tinham ainda sido inventados.

É provável que a vida leve a Inês para grandes voos, aventuras muito longe da terra que a viu nascer, é provável que a leve a lugares tão ou mais belos que a floresta de Otzarreta,  mas, tal como acontece à personagem principal, acredito que o amor da Inês às suas raízes, à sua terra natal, nunca se vai perder.

Como ela própria diz, a terminar esta história: “… nada como voltar ao nosso porto de abrigo, que é o nosso lar e ter por perto aqueles que são o nosso porto seguro”.

Parabéns Inês, por seres como és, e nos ajudares a sentir que vale a pena ser professor.

Goreti Figueiredo